Os licenciados portugueses

Sou mais uma quase licenciada portuguesa. Há dias não consegui pregar o olho até às 3h da manhã, fruto de uma grande preocupação que, tal co...

Sou mais uma quase licenciada portuguesa. Há dias não consegui pregar o olho até às 3h da manhã, fruto de uma grande preocupação que, tal como muitas das pessoas na minha condição, que tiverem um pouco mais de cabeça e se lembrarem de que, por vezes, é importante pensarmos no futuro, nos faz tirar o sono.
Dou comigo a pensar que este primeiro ano passou tão, mas tão rápido, que eu nem quero imaginar como serão os próximos dois: no segundo estarei desejosa para que chegue a altura de ir para a Polónia, e no terceiro andarei ocupada com as praxes, sarau e tudo mais.
E quando der por mim, sou oficialmente uma Cientista do Desporto (estranho, não?) Sim, muito estranho, mas o que interessa aqui mesmo é o contexto da situação.


Como estava a falar, daqui a dois anos vou ser uma licenciada, mais uma no país, rumo ao desemprego.Nunca houve tantos licenciados em Portugal, e esse é precisamente o problema. A licenciatura, mestrado ou doutoramento não nos garante trabalho, muitas vezes é precisamente o contrário. Há imensos licenciados que querem começar a trabalhar na área deles, quando nem postos de emprego há para toda a gente.
Eu costumo dizer que não me importo de trabalhar no que quer que for, por achar, na minha verdadeira sinceridade, que não vou encontrar emprego na área desportiva assim que acabar o curso e, como tal, dispenso ficar em casa da minha mãe sentada no sofá ao computador, em quanto ela anda no seu ganha pão para me sustentar à tantos anos.
O problema vem depois. O dinheiro do emprego chega-nos suficientemente bem para nos mantermos e ajudarmos enquanto vivemos sobre alçada dos nossos pais.
Não temos grandes contas para pagar, temos internet de borla, um tecto o qual fica muito mais barato partilhado, e uma boa vida sem grande esforço. A verdade é que, ainda que eu saiba que essa é uma óptima forma de poupar dinheiro (e neste momento, poupança é essencial - quando se consegue apurar algum dinheiro que seja), eu continuo a dizer que não quero viver às custas da minha mãe.
Actualmente o dinheiro ganho em muitos empregos não dá para viver uma vida normal, a vida que nos exigem. Quantos e quantos empregos não nos pagam o combustível até às instituições? Quantas e quantas vezes não nos temos de sujeitar a tanta coisa a qual fica a nosso cargo? Parte do salário vai para pagar essas despesas do emprego, o resto vai para o pagamento de serviços básicos, renda e alimentação.
Desejo ter um quintalzito para ter os meus legumes, e poupar algum dinheiro, o meu sonho era uma casa de madeira, mas sonhos não são para aqui chamados. Estamos numa realidade.


O meu problema começa a crescer quando penso em outros pormenores. Quando penso que eu adoraria voltar para a minha cidade de Viseu, e talvez tivesse alguma ajuda para arranjar emprego, mas que definitivamente não era lá que eu queria fica por outro lado. Começo a pensar que Lamego seria boa hipótese, mas lá não tenho amigos, grandes relações, e ainda por cima não há Desbravadores ou Igreja. Enfim começo a pensar em Vila Real, mas ninguém me consegue agarrar esta paixão que tenho pela minha cidade, em que cresci.

Hás vezes parava para pensar que ainda havia outras condicionantes. Em quê é que eu vou trabalhar? Vale a pena emigrar? E se for para fora, a quem vou recorrer, uma vez que não tenho lá família?
Num estudo de 2010, um em cada dez licenciados abandona o país.

Eu sou mais uma, que estou a pensar grandemente nessa hipótece. Para falar a verdade, houve dois países que me cativaram: África do Sul e Austrália.


A insónia já passou, e decidi aceitar viver cada dia de cada vez. Vou esperar que tudo corra de acordo com a orientação do Senhor, e aguardar pacientemente. Quem disse que a maior dificuldade era escolher o curso antes de ir para a Universidade, acho que estava bem enganado :O

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