APCV +.+

Houve vezes que me apeteceu reclamar por não me ouvirem, houve vezes que me apeteceu chorar por achar que não era capaz de fazer o que era ...

Houve vezes que me apeteceu reclamar por não me ouvirem, houve vezes que me apeteceu chorar por achar que não era capaz de fazer o que era esperado de mim, houve vezes que me apeteceu passar-me por achar que eu estava em segundo plano, ou porque não concordava com determinadas atitudes. Mas essas vezes, contam-se pelos dedos das mãos, que nem são precisos os dos pés - e esta, é a lei natural da vida social.

Agora, não vou esconder que me contive imensas vezes na quarta e na quinta para colocar na minha cabeça que eu vou viver de despedidas a vida inteira, e que coisas boas nunca se perdem. Custava vê-los ir embora e não poder dizer "até amanhã", "até para a semana", "até sexta". Agora dizer "não vimos mais", "o nosso estágio acabou", isso sim custava dizer. Muitas vezes, parece que não tinha coragem e saia apenas um "xau", um "adeus". Houve mesmo alguém que me custou tanto, tanto mas tanto, que eu disse indirectamente que era o último dia, mas fui incapaz de lhe dizer um voto de boa sorte para o resto da vida. Nesse mesmo momento, eu arrumei as coisas que tinham ficado com um grande aperto por debaixo da camisola. A melhor recordação que podia ter para além da minha memória, foi uma simples fotografia, mas que para mim vale imenso.


Do início ao fim, muita coisa mudou. Tive quem me enchesse de perguntas e elogios (daqueles que já tem na ponta da língua, uma vez que os dá a toda a gente xD); quem se marcasse pela gentileza de um sorriso, de um cumprimento, de um olhar diferente; quem se apegasse demasiado e começasse a se tornar beijoqueiro, a brincar imenso comigo, a utilizar diminutivos, a fazer perguntas e falar de assuntos pessoais, a pedir desculpa à mínima coisa e mostrar que de certa forma, nós marcávamos a diferença; a fazer malabarismo e disparates enquanto não estava presente um responsável; a fazer-nos rir até não parar mais com as danças e o "1, 2, 3", "quem é a estátua?" e outras coisas; quem nos desse conselhos menos certos; quem me explicasse tudo e mais alguma coisa, se mostrasse inteligente, mas ao mesmo tempo mostrasse que aos poucos e poucos, tornava-se alguém cada vez mais importante; que acompanhasse os familiares e compartilhasse connosco o dia-a-dia e a maneira de ser de cada um; quem falasse connosco sobre os mais diversos aspectos e partilhasse connosco sonhos e esperanças; quem me esgadanhasse e a seguir me viesse dar beijinhos; quem olhasse para mim e acenasse, me chamasse mesmo que por outro nome que não o meu; quem gostasse de ser solidário, actual e social; quem se interessasse pelos nossos interesses, forma de agir e gostasse de passar tempo a falar connosco sobre o que fazemos acerca de isto ou aquilo; quem nos conhecesse melhor do que sei lá o quê, mostrasse imensa simpatia e gentileza, compreensão e fosse o exemplo de muitos homens; quem tivesse a sua personalidade, mas nos cativasse com o tempo; quem fosse divertido e actual, sempre com brincadeiras prontas para retirar do bolso; quem preferisse não falar muito e se rir, mandar brincadeiras para o ar de vez em quando. Caramba, dá que falar este meio ano, ahn?



Os últimos dias foram dos melhores: fizemos imensas actividades novas, andámos de cadeira de rodas (em fim, experimentámos tudo e vimos o que realmente pessoas com deficiência passam na vida diária), eu comi na Cava, ri-me um bocado e segui caminhada, tiveram receio de me perguntar se querida boleia (:p), conhecemos utentes novos que nos marcaram logo (e a questão é: mas porque é que eu não pude trabalhar com eles logo desde o início? :x), jogámos um voleibol muuuito trapalhão com meninos que víamos quase todos os dias, mas mal (xD), ficámos sem piscina, comuniquei na minha linguagem gestual (sim, pq a minha não eh lingua xD) e ainda recebemos o Bicas, que vai para cima da minha caminha fazer de lembrança. Depois ainda oferecemos os calendários feitos depois de 1 hora vã de reflexão ahahahaha Neste dia nós estávamos diferentes, e o mesmo com o nosso monitor - parece que não havia a motivação do costume, que não era exigido de nós o habitual, havia um certo olhar distante de tantas partes. Sabem quando nós temos tanta coisa para dizer e ao fim ao cabo, nada sai? Foi com essa situação que me deparei bastantes vezes. Fomos sinceros e realistas com o nosso trabalho, as nossas personalidades, o que fizemos até à altura - que para mim, não podia ser melhor.

Sei que são duas formas diferentes de ver as coisas, mas esta é a minha. Apego-me às pessoas, e sei que a vida é feita de tudo isto. Mas não faz mal, eu consigo colocar numa grande caixa pintada de vermelho papeis com o nome de muita gente (e mesmo que algum papel se vá deteriorando com o tempo, ele vai continuar lá).

Agora pergunto: será que eles vão sentir o mesmo que eu sinto agora ao deixá-los? Não sei Daniela, isso depende de cada um deles. Mas uma coisa é certa: cada um é único, e cada um contribuiu para que te custasse tanto a deixar algo que te estava a ocupar muito tempo que precisas.


E como me custa imenso deixar isto, vou voltar a estar com eles no dia 7 de Maiooo! *_*



Um grande obrigada a todo o pessoal que nos aturou durante este tempo todo!
Um agradecimento especial ao monitor Filinto, Dona Lurdes, Professor Dinis, Dona Fátima, Ricardo Pereira, Pai da Diana e Diana, Avó do Luís Patrício e Luís, Tânia, equipas de Boccia de competição (Abel Alvéolos, Diogo Mota, Fernando Ferreira, Simone Ferreira, Zé António, Nuno Duarte, Carlos Sérgio), Pedro Teixeira, Daniela, Cidalina Silva, Luis Silva e o Dioguinho.

You Might Also Like

0 comments

Having a good time reading? Please leave us a comment below!

Responsive World Map

Footer Menu




Instagram

Footer social

TERMS AND CONDITIONS
|
PRIVACY POLICY