Contradição

Já não sei que hei de fazer. No início, engulia. Contava até 10, ou simplesmente entrava por um ouvido e saía por outro. Era melhor assim...


Já não sei que hei de fazer. No início, engulia. Contava até 10, ou simplesmente entrava por um ouvido e saía por outro. Era melhor assim, pensava.
Mas exactamente desse lado era me dito "responde", "diz o que te vem à cabeça". Mas nessa altura eu tinha auto-domínio e autoestima suficiente para saber que apenas engulir e seguir em frente, mostrar-me superior a provocações como tais seria o mais sensato a se fazer.
Mas infelizmente, tudo o que me foi dado, foi tirado de repente. Perdi algo que lutei para não perder, algo que nunca deveria ter a importancia que lhe coloquei: a máxima importância. Perdi toda a alegria que nunca antes tive e que com esse algo me foi trazida. Perdi a sorte e o sorriso que nesses dias me envolviam e me faziam sentir brilhante, segura e confiante. Perdi tudo.
E agora sempre que me esforço para que algo corra bem, acaba por ser o inverso.
Quando me culpam por algo, ainda que não a tenha, assumo-a e entristeço porque mais uma vez, fiz asneiras. Quando implicam comigo, me faltam ao respeito ou simplesmento dizem algo que me rebaixa como "tás feia" ou "adorei tanto" (eu ter levado uma bolada) simplesmente expludo, não aguento quando as pessoas têm aquelas manias a que já me habituei e ingoli, quando me imitam-me e quando fazem algo que sempre disse "acalma-te Daniela", já não consigo mais esconder.
Ultimamente não dá mais, já nem me lembro de contar até dez. Pica-me uma vez, pica-me duas. Se houver terceira é porque já respondi à segunda. Venho mal disposta da porcaria da minha escola e ainda tenho de aguentar bocas, e todas elas resumem-se à mesma coisa: "não sei fazer nada" (quando nem se pode falar do que não se tem tempo suficiente para saber), "sou uma fingida" (quando se tratam de coisas sérias), "tenho mais olhos que barriga" ou "não toques no que é meu". FOR GOD SAKE!
E o que é que eu faço? Se me calo, é porque estou mal disposta, se falo é porque estou diferente, não sabem o que se passa comigo, estou respondona...
Pois estou, estou diferente: a vida não me sorri, corre tudo mal, e a disposição já é pequena para aturar pessoas que só me querem picar. E as coisas ficam ainda piores quando os outros ao redor se apercebem, ficam mal dispostos também e claro, a culpa é sempre minha, que me defendo.



Mais uma vez esforcei-me para que tudo corresse em condições, ainda por cima hoje! Primeiro, várias coisas correram de forma inesperada e mais uma vez, u que uma pessoa planeia bem, acaba por correr mal. E para finalizar, o que me tem incomodado extremamente. Chegou. Chegou de forma contrariada. Criou mau ambiente, picou-me e recusou-se a fazer algo que uma pessoa, por mais que não goste ou não apeteça, faz por cortesia ao aniversariante. E no fim de contas, eu que fiquei mal e foi chamada de algo como "insuportável". Porquê? por tentar defender ainda a minha imagem perante as pessoas que eu gosto? Lembrei-me do "parasita", dito a uns tempos atrás de forma fria e confiante. Senti-me lastimável. Tanto trabalho que tiveram comigo, para eu ser a "insuportável". Até ao final do dia, eu não recebi um único "parabéns" dessa parte. Tudo o que recebi foram maus olhares e bocas.
O que é que eu faço? Fico calada e depois vou para o meu canto e expludo sozinha como uma bomba que é atirada longe para não rebentar na hora? Ou defendo-me com os direitos que tenho, e mostro que as pessoas não podem gosar comigo desta forma? Porque é que eu não me posso meter com a outra parte, se a outra parte limita-se a rebaixar-me?
Não me interessa se é personalidade ou não, não tem o direito de me picar constantemente, e eu levar com as culpas por me defender.


Talvez eu tenha esquecido como contar até 10, ou simplesmente tudo não passe de culpa dele que deixou uma ferida que ainda não coseguiu sarar. Eu sei que os outros não têm culpa da merda que está a minha vida, mas eu não aguento ser sempre a paz de alma que leva com tudo e fica calada.



E se me revolto, revolto-me porque não me entendem. Não me entende a vida, nem me entendem os outros.

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